Síndrome dos Diagnósticos

October 18, 2017

 

 

Hoje em dia qualquer pessoa tem alguma doença. Aliás sinto que estão todos ávidos a serem enquadrados em algum diagnóstico, quando não diagnosticar alguém. Se é muito agitado é hiperativo, se não é bom aluno tem déficit de atenção. Se está triste tem depressão, por ai vai os inúmeros diagnósticos dados que vão nos rotulando e segregando de alguma forma. 
Freud escreveu um texto incrível sobre a psicanálise selvagem, analistas que saem dizendo e fazendo tudo a torto e direito. Ainda nos encontramos nos tempos da selvageria, pois diagnosticar sem o mínimo de conhecimento é realmente feroz e traz consequências. 
Onde podemos notar com mais frequência é nas crianças que acabam se alienando a diagnósticos precoces e muitas vezes errado. A falta de investimento dos pais nos estudos do filho agora é tratado como déficit de atenção na criança. Mas aonde falta atenção? É na criança ou nos pais que não mais dão atenção a seus filhos? Aonde esta a hiperatividade, nas crianças cheias de celulares, tablets, aulas de inglês, natação e etc ou nos pais que por conta de todos estes comprometimentos não consegue ter um tempo de qualidade com os filhos? 
Será que essa tristeza que você sente é depressão, ou você esta passando por um momento específico aonde tem encontrado dificuldade em ser ver mais otimista? 
O que se vê é uma banalização da doença, sim, pois ao diagnosticarmos tudo, o resto perde valor. Estar um pouco triste ou até mesmo deprimido tomou proporções de doença grave, como se tivéssemos que estar felizes o tempo todo, atentos e bem dispostos. Como isso é impossível, o que vemos é um falso adoecimento.
Não se trata aqui de banalizar a doença de maneira geral, óbvio que as depressões existem, TDAH, e tantas outras doenças, mas aqui o que quero fazer vocês pensarem é que nem tudo é isso. Há uma possibilidade outra, possibilidade essa que nos inclui nas nossas queixas e demandas, nos faz responsáveis pelo que sentimos e também, no casos dos pais, daquilo que fazemos sentir. 
Façamos um exercício: Quando pensar que um filho seu possa ter déficit de atenção, se pergunte o quanto de atenção vem dando aos estudos dele junto à ele. Quando pensar que pode estar com depressão, se pergunte o que pode estar acontecendo em sua vida que não vem se dando conta, e que de alguma forma muda sua relação com os outros. 
O exercício serve para tantas outras coisas, é o tipo de reflexão que se espera numa análise por exemplo. Que o sujeito possa se responsabilizar por aqui que se queixa e fazer algo novo a partir disto. 

 

Bibliografia : S. Freud , obras completas de Sigmund Freud, VOL XI. 

 

Colaboração: Caroline O. de A. Fabrício
Psicanalista (22) 998537746
carol.oli.almeida@hotmail.com
Av. Nilo Peçanha 259,Sala 312, 
Centro, Araruama

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